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Não sou muito dada a balanços, prefiro olhar em frente e planear o futuro. O passado é isso mesmo… passado, história que já foi vivida, memórias boas ou más que apenas ficam no nosso arquivo emocional para consulta futura.

Este ano, que entra na fase de despedidas, foi completamente atípico e estranho e por isso abri uma exceção, afinal de contas as exceções também são parte integrante das leis e por isso mesmo julgo que um pequeno balanço neste período do ano, mais que uma redenção é uma imposição espiritual.

O ano iniciou-se de forma tranquila e promissora, até ao momento em que algo que sentíamos que não nos pertencia e jamais se aproximaria de nós nos tocou em Março. Admito que fui completamente surpreendida, e acreditem que sou quase imune a surpresas. No entanto tal como todo o tecido social e económico não fiquei alheada aos efeitos nefastos da pandemia, para as quais não estava preparada. Dispunha de um método de trabalho “analógico”, suportado pela proximidade física e pelo contacto presencial com os clientes, que momentaneamente foi suspenso. Face a esta enorme contrariedade tive de avaliar toda a minha forma de trabalhar e de chegar mais próximo das pessoas e dos clientes. Para ultrapassar esta barreira, optei por criar uma proximidade digital, e como? Apostando numa presença cada vez mais forte nas plataformas digitais (Website), nas redes sociais e sobretudo desenvolvendo e publicando pequenos artigos de esclarecimento jurídico, que nada mais representam do que uma espécie de respostas digitais ao que frequentemente solicitam os meus clientes e pessoas que me são próximas. Estes pequenos esclarecimentos focam temáticas que não pretendem ser tratadas de forma muito profunda, são apenas pequenas bússolas de orientação jurídica. Ah… já me esquecia de referir, de que o Zoom, Teams, WhatsApp Calls, Google Meet, ao contrário do que suspeitava, não são simples nomes de canções de Kizomba ou Reggaeton. São preciosas ferramentas de trabalho de contacto com os clientes, das quais já não abdico.

Esta não foi uma transição fácil nem pacífica, foi uma mudança repleta de recuos, mas de muitos avanços. Foi um processo esgotante e cheio de incertezas que rapidamente eram dissipadas com apoio da minha família e do sorriso mais enternecedor que conheço, o sorriso do meu filho. Por isso, e uma vez que estas palavras se tratam de um pequeno balanço que sempre me recusei a fazer, 2020 foi sobretudo um teste à minha resistência enquanto profissional e à capacidade de reinventar a minha forma de trabalhar. Os elogios e as palavras de apoio que tenho recebido são o maior atestado de que o caminho está a ser trilhado na direção certa.

Para 2021 os meus desejos são os mesmos que fiz a 31 de Dezembro de 2019, mas este ano vou acrescentar mais um, vou desejar que no próximo ano nos possamos abraçar novamente sem medos, nem limites. Vou prometer “esmagar” de abraços aqueles que amo e que me são queridos. Vou continuar a rir com os clientes e quando não dominar o coração traiçoeiro, também irei chorar com eles, porque não me consigo alhear dos problemas de quem me procura. Afinal de contas ser advogado é uma causa e se acreditamos em causas temos de as tomar como nossas a partir do momento que nos procuram. Sou feliz a trabalhar desta forma, mas não sou perfeita e este ano testou-me… e de que maneira.

Resta-me apenas desejar a toda a família, amigos e clientes um  Feliz Natal e um 2021 repleto de todas as coisas boas que teimaram em não aparecer este ano.

Susana Canêdo

Dez. 2020

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